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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Poemas Inconjuntos

   A espantosa realidade das coisas
   É a minha descoberta de todos os dias.
   Cada coisa é o que é,
   E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
   E quanto isso me basta.

   Basta existir para ser completo.

   Tenho escrito bastantes poemas.
   Hei de escrever muitos mais, naturalmente.
   Cada poema meu diz isto,
   E todos os meus poemas são diferentes,
   Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.

   Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
   Não me ponho a pensar se ela sente.
   Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
   Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
   Gosto dela porque ela não sente nada,
   Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

   Outras vezes oiço passar o vento,
   E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
   Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
   Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
   Nem ideias de outras pessoas a ouvir-me pensar;
   Porque o penso sem pensamentos,
   Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

   Uma vez chamaram-me poeta materialista,
   E eu admirei-me, porque não julgava
   Que me pudesse chamar qualquer coisa.
   Eu nem sequer sou poeta: vejo.
   Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
   O valor está ali, nos meus versos.
   Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

(Retirado do livro Fernando Pessoa - Poesia Completa de Alberto Caeiro, da Editora Companhia de Bolso)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Tempo

" Penso, penso e repenso
  Na vã tentativa de tudo resolver.
  Sinto urgência dentro de mim
  Estou no olho do furacão.
  Ando, mas deveria correr
  Corro, mas deveria voar
  Voo e não saio do lugar.
 O tempo urge, voa, não existe
 O tempo é meu amigo
 E o meu pior inimigo.
 Já não sei o que fazer
 Que estrada seguir
 Que rumo tomar.
 Só sei que pra frente eu vou
 Pois sei que lá é o meu lugar. "

(Poema de minha autoria, Bruh Jolie)



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Eu só gostaria que...

Eu só gostaria que você me aceitasse
Com as minhas falhas gritantes
Com os meus erros constantes
Com as minhas voltas por cima do nada.

Eu só gostaria que você me aceitasse
Com o meu coração em pedaços
Com as cicatrizes que trago pelo corpo
Com os cabelos bagunçados ao acordar.

Eu só gostaria que você me aceitasse
Apenas me aceitasse como sou...

(Bruh Jolie)